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Financiamento27 de outubro de 20265 min de leitura
Thyago BrancoPor Thyago BrancoCorretor de imóveis · CRECI-RJ 79.430

Juros, inflação e dólar: o que muda na compra do imóvel na planta

Entenda de forma simples como Selic, inflação, INCC e câmbio mexem no financiamento e nas parcelas de quem compra imóvel na planta no Rio.

Juros, inflação e dólar: o que muda na compra do imóvel na planta
Imagem ilustrativa.

Quem está pensando em comprar o primeiro imóvel costuma ouvir no noticiário palavras como Selic, IPCA, INCC e dólar. Parece assunto de economista, mas esses números chegam ao seu bolso. Eles mexem no valor da parcela, no crédito que o banco aprova e até no preço de construir um prédio.

Neste artigo, explicamos de forma simples como cada um deles afeta quem compra um imóvel na planta. Também mostramos como eles estão agora, em outubro de 2026, segundo fontes oficiais. A ideia não é prever o futuro. É ajudar você a entender o cenário e planejar melhor.

Juros: a Selic e o custo do financiamento

A Selic é a taxa básica de juros do país. Quem define é o Copom, um comitê do Banco Central que se reúne a cada 45 dias, mais ou menos. Ela serve de referência para quase todo o crédito no Brasil, inclusive para parte do financiamento imobiliário.

Como está agora: a Selic começou 2026 em 15% ao ano, o nível mais alto em quase 20 anos. Desde março, o Banco Central vem fazendo cortes pequenos. Na reunião de setembro, ela caiu de 14% para 13,75% ao ano, segundo a ata do Copom divulgada em 22/09/2026. A próxima reunião está marcada para 3 e 4 de novembro.

O que isso significa para você:

  • Financiamento com recursos da poupança (SBPE): é a linha mais usada para imóveis fora dos programas habitacionais. As taxas dessa linha costumam acompanhar o rumo da Selic, mas com atraso e sem cair na mesma proporção.
  • Minha Casa Minha Vida: usa dinheiro do FGTS e tem taxas próprias, definidas pelo governo conforme a faixa de renda. Por isso, sente menos as mudanças da Selic no curto prazo.
  • Juros mais baixos aumentam o crédito aprovado. Com a mesma renda, a parcela cabe num valor maior de imóvel. Com juros altos, acontece o contrário.

Mesmo com os juros altos, o crédito para a casa própria seguiu firme em 2026. Segundo a Abecip, que reúne os bancos do setor, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 192,4 bilhões nos 12 meses até agosto, alta de 20,2%.

Inflação: o IPCA e o INCC

Inflação é o aumento geral dos preços. Para quem compra na planta, dois índices importam mais.

IPCA é a inflação oficial, medida pelo IBGE. Ela mostra quanto sobe o custo de vida, como comida, energia e transporte. Em setembro de 2026, o IPCA subiu 0,82% e acumulou 4,58% em 12 meses, segundo o IBGE. A inflação pesa no seu orçamento e também orienta o Banco Central: se ela sobe, os cortes nos juros tendem a ficar mais lentos.

INCC é o Índice Nacional de Custo da Construção, calculado pela FGV. Ele mede quanto sobe o preço de materiais e mão de obra nas obras. Segundo a FGV, o INCC-M subiu 0,25% em setembro de 2026 e acumulou 6,61% em 12 meses. Ou seja, construir ficou mais caro num ritmo maior que a inflação geral.

Por que o INCC importa tanto para você? Na compra na planta, é comum que as parcelas pagas direto à construtora durante a obra sejam corrigidas por esse índice. Na prática, o valor da parcela pode subir um pouco ao longo dos meses. Cada contrato tem sua regra, então vale perguntar antes de assinar:

  • Qual índice corrige as parcelas durante a obra?
  • A correção vale para todas as parcelas ou só para algumas?
  • O que muda depois da entrega das chaves?

Câmbio: o que o dólar tem a ver com o seu apartamento

Pode parecer distante, mas o dólar também chega à obra. Vários insumos da construção têm preço ligado ao mercado internacional, como aço, cobre, alguns equipamentos e materiais elétricos. Quando o dólar sobe, esses itens tendem a ficar mais caros. Isso pressiona o INCC e, mais adiante, o preço de novos lançamentos.

O dólar também influencia a inflação geral. Um real mais fraco encarece importados e combustíveis, e isso pode atrasar a queda dos juros.

Como está agora: o real se valorizou em 2026. No início de outubro, o dólar fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio e acumulava queda de mais de 9% no ano, segundo a Agência Brasil. Ainda assim, a moeda costuma oscilar bastante em período eleitoral e com notícias do exterior. A projeção do mercado no Boletim Focus, do Banco Central, era de dólar perto de R$ 5,20 no fim do ano.

Como usar essas informações na prática

Ninguém controla juros, inflação ou dólar. O que dá para controlar é o seu planejamento. Algumas dicas:

  • Faça as contas com folga. Se a parcela da obra pode ser corrigida pelo INCC, não comprometa todo o seu orçamento logo no início.
  • Entenda as duas fases. Na planta, existe o período da obra (com parcelas para a construtora e, às vezes, encargos do banco) e o período depois das chaves (a parcela do financiamento em si). Cada fase tem regras próprias.
  • Não espere o "momento perfeito". Esperar os juros caírem pode fazer sentido para alguns. Mas, enquanto isso, o custo da construção e o aluguel também sobem. O mais importante é a parcela caber no seu bolso com segurança.
  • Use o FGTS a seu favor. Ele pode ajudar na entrada e reduzir o valor financiado, o que diminui o peso dos juros. As regras de uso são confirmadas no atendimento.
  • Acompanhe as notícias, sem ansiedade. Uma mudança de 0,25 ponto na Selic não muda sua vida da noite para o dia. O que pesa é a tendência ao longo dos meses.

Se você quer entender as regiões onde há lançamentos, vale conhecer o Centro do Rio e a Zona Norte. Para outros temas sobre financiamento e compra, o blog da Legado Imob tem mais conteúdos.

Fale com quem acompanha o mercado

Juros, inflação e câmbio mudam o tempo todo, e cada contrato tem detalhes próprios. Se quiser entender como o cenário de agora afeta a sua renda e o imóvel que você procura, converse com o corretor Thyago Branco. Ele pode tirar suas dúvidas e fazer uma simulação de condições para o seu caso, sem compromisso.

Fontes

Conteúdo informativo. Condições comerciais, regras de financiamento e uso do FGTS dependem de análise e das normas vigentes, e devem ser confirmadas no atendimento e com a instituição financeira.

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